Considerado uma das principais estruturas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), o Ramal do Apodi alcançou 91,86% de execução física - Foto: MIDR
Ministro da Integração destaca a conclusão do túnel de Major Sales, entregue em julho, e ressalta a importância da oferta hídrica que chegará ao Alto Oeste potiguar diante dos riscos de estiagem e dos impactos do El Niño
Publicado 17 de agosto de 2026 às 16:15
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, assegurou em entrevista exclusiva ao NOVO que o Túnel de Major Sales está concluído e pronto para transportar água. A declaração do ministro rebate notícias falsas sobre a estrutura inaugurada em julho, que cumpre atualmente apenas testes operacionais de praxe. Ainda segundo ele, as obras do Ramal do Apodi têm previsão de conclusão para fevereiro de 2027.
Waldez explicou que o Túnel de Major Sales é parte integrante do sistema adutor do Ramal do Apodi e que, como ocorre em obras dessa natureza, precisa passar por testes operacionais antes do funcionamento definitivo. “A estrutura [do túnel] encontra-se concluída e plenamente apta para a condução hídrica”, afirmou o ministro.
Ele também rebateu críticas relacionadas à ausência de água durante a cerimônia de inauguração, que ocorreu no dia 2 de julho com a presença do presidente Lula. “Embora o fluxo tenha sido registrado em horário posterior à visita institucional do presidente da República, o compromisso técnico firmado pela empresa executora para a passagem da água foi devidamente cumprido”, asseverou.
Segundo o MIDR, os testes de passagem de água foram realizados com sucesso e o fluxo atravessou a estrutura no dia 3 de julho, por volta das 23h.
Considerado uma das principais estruturas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) no RN, o Ramal do Apodi já alcançou 91,86% de execução física. A obra possui 115,5 quilômetros de extensão e vai conectar a Barragem Caiçara, na Paraíba, à Barragem de Angicos, em José da Penha, no Alto Oeste potiguar.
O empreendimento atravessa os estados da Paraíba, Ceará e RN e deverá beneficiar diretamente 54 municípios e cerca de 750 mil pessoas. A estrutura terá capacidade para transportar até 20 metros cúbicos de água por segundo. De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o avanço da obra permitirá que o sistema da transposição opere em sua capacidade planejada nas próximas décadas.
O investimento total previsto é de R$ 938,5 milhões. Entre as principais estruturas do projeto estão 37 subtrechos de canais, 13 segmentos principais de canal, seis aquedutos, quatro sifões invertidos, quatro estruturas de controle, além do túnel de Major Sales, que possui 6,51 quilômetros de extensão.
Waldez Góes informou que os testes operacionais continuam e que a água segue sendo conduzida em direção ao reservatório de Angicos. A previsão é que essa etapa seja concluída até novembro de 2026.
“Além da avaliação e homologação operacional das estruturas hídricas, esta medida desempenha papel estratégico na garantia da oferta regular de água e na mitigação da vulnerabilidade hídrica no Alto Oeste Potiguar, funcionando como uma ação importante na frente aos potenciais impactos decorrentes do fenômeno El Niño na região Nordeste”, justificou.
A conclusão física do Ramal do Apodi está prevista para fevereiro de 2027, conforme o cronograma contratual, ressaltou Waldez Góes. O governo federal afirma que a obra será fundamental para ampliar a segurança hídrica do Alto Oeste do RN, do Cariri paraibano e de municípios cearenses. “Reduzindo a dependência de soluções emergenciais de abastecimento e reforçando a disponibilidade de água para consumo humano, dessedentação animal e atividades produtivas”, disse.
O ministro também esclareceu questionamentos sobre o uso de contêineres em alguns pontos da obra. Segundo ele, as estruturas funcionam como passagens provisórias para veículos e pedestres em locais onde os canais cruzam estradas — e representam menos de 0,05% da extensão total do ramal. A solução será substituída por obras definitivas em concreto.
Ainda segundo o MIDR, a Barragem de Angicos, localizada no Alto Oeste potiguar, atingiu sua cota máxima e iniciou o processo de sangria no dia 7 de agosto. A barragem é o primeiro reservatório situado na extremidade final do Ramal do Apodi, e o transbordamento é uma das etapas para viabilizar o escoamento contínuo das águas pelo leito natural do Rio Apodi, beneficiando diversas estruturas hídricas ao longo da região.
O transbordo de Angicos foi impulsionado pelo aporte de água resultante da retomada dos testes operacionais no Ramal do Apodi. Após ultrapassar a estrutura do vertedouro de Angicos, o volume de água percorre o leito natural do Rio Apodi em direção a outros dois importantes mananciais integrados à bacia hidrográfica do Alto Oeste.
O primeiro a receber o excedente hídrico é a Barragem de Flechas (Paraíba), seguido pela Barragem de Pau dos Ferros, responsável direta pelo abastecimento de um dos principais polos urbanos da região.
>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp
Receba notícias em primeira mão pelo Whatsapp
Assine nosso canal no Telegram
Siga o NOVO no Instagram
Siga o NOVO no Twitter
Acompanhe o NOVO no Facebook
Acompanhe o NOVO Notícias no Google Notícias