Cláudio Castro foi novamente alvo de buscas da Polícia Federal nesta sexta-feira (14). | Foto: Reprodução
Ex-governador do Rio foi alvo de buscas nesta sexta (14) em nova fase da Operação Sem Refino; em maio, também foi alvo de ação que apura aplicações bilionárias do Rioprevidência no Banco Master
Publicado 14 de agosto de 2026 às 17:15
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (14). É a terceira vez, em menos de três meses, que a PF cumpre mandados de busca contra ele desde que deixou o governo estadual, em março. As três ações estão relacionadas a investigações diferentes e foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação desta sexta-feira é a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a PF, a apuração envolve possíveis irregularidades na concessão de licenças ambientais para o empreendimento e suspeitas de lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro.
A primeira ação ocorreu em 15 de maio, quando Castro foi alvo da Operação Sem Refino. Na ocasião, a PF investigava o Grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro. Segundo a investigação, o grupo teria utilizado estruturas empresariais e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos para o exterior.
Na ocasião, agentes da PF cumpriram mandado de busca na residência de Castro, na Barra da Tijuca. A decisão que autorizou as buscas foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A defesa do ex-governador negou irregularidades e afirmou que ele estava à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Onze dias depois, em 26 de maio, a PF voltou à residência de Castro. Desta vez, a busca ocorreu na oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga investimentos do Rioprevidência no Banco Master.
A operação de maio apura aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master, realizadas durante a gestão de Castro. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF.
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A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes suspeitos no sistema de previdência estadual. A defesa de Castro negou irregularidades e contestou as suspeitas levantadas na investigação.
Na operação desta sexta-feira, a PF voltou a cumprir buscas relacionadas ao caso Refit. Segundo a corporação, a investigação busca esclarecer se licenças ambientais para o empreendimento foram concedidas em desacordo com pareceres e diretrizes técnicas.
A PF também apura possíveis crimes de lavagem de capitais relacionados ao grupo empresarial. Além de Castro, estão entre os alvos o ex-secretário estadual de Ambiente Bernardo Rossi e outros investigados.
Um dos imóveis alvo das buscas, em Petrópolis, está registrado em nome de Luiz Fernando Gomes e, segundo a investigação, seria utilizado por Castro. A defesa afirmou que o imóvel era alugado pelo ex-governador e disse desconhecer a operação atual.
Castro renunciou ao governo do Rio em 23 de março de 2026. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Castro inelegível por oito anos. Por 5 votos a 2, a Corte concluiu que ele praticou abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
Em junho, o TSE manteve a decisão ao rejeitar recursos apresentados contra a condenação. As buscas realizadas pela PF, porém, tratam de investigações distintas da ação eleitoral julgada pelo TSE. O ex-governador não foi preso nas três operações mencionadas.
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