Álvaro Dias aparece na liderança em duas pesquisas que são alvo de apuração criminal | Foto: Reprodução/Instagram
SUBTÍTULO: Nove pesquisas foram questionadas na Justiça Eleitoral em 2026; duas avançaram para apuração criminal e ambas apontavam Álvaro Dias na liderança
Publicado 13 de agosto de 2026 às 19:27
Duas pesquisas eleitorais que colocaram Álvaro Dias (PL) na liderança da disputa pelo Governo do RN são as únicas, entre nove levantamentos questionados na Justiça Eleitoral em 2026, que avançaram para uma apuração criminal. Os casos envolvem as pesquisas RN-09520/2026, do instituto Ipsensus, e RN-08092/2026, da Média Inteligência em Pesquisa. Nos dois levantamentos, Álvaro apareceu à frente de Allyson Bezerra (União) e Cadu Xavier (PT).
A pesquisa do Ipsensus apontou Álvaro com 32,5%, Allyson com 27,3% e Cadu com 16,8%. Já a pesquisa da Média Inteligência registrou 32,1% para Álvaro, 27,5% para Allyson e 18,1% para Cadu. Há uma diferença importante entre uma pesquisa suspensa pela Justiça Eleitoral e uma investigação criminal, conforme informações do Agora RN.
A Justiça Eleitoral pode determinar a suspensão ou a retirada de uma pesquisa quando identifica inconsistências metodológicas, ausência de informações obrigatórias ou outras irregularidades no registro. Já uma apuração criminal busca verificar se os fatos podem configurar crime e quem eventualmente seria responsável.
No caso da pesquisa do Ipsensus, o processo chegou à Procuradoria Regional Eleitoral após questionamentos sobre os dados apresentados à Justiça e sobre o acesso ao sistema de controle da pesquisa. A relatora apontou elementos que justificariam o aprofundamento da apuração sobre possível falsidade ideológica para fins eleitorais e eventual embaraço à fiscalização.
Entre os pontos questionados estão os dados de coleta e a identificação dos entrevistadores. Conforme documentos citados no processo, foram encontrados registros que levantaram dúvidas sobre a quantidade de entrevistas atribuídas a determinados pesquisadores, códigos repetidos e a ausência de informações de geolocalização.
Também foi apontada uma possível ligação operacional entre as equipes relacionadas às pesquisas do Ipsensus e da Média Inteligência.
Ipsensus — RN-09520/2026
Média Inteligência/O Potengi — RN-08092/2026
A concentração das investigações criminais nas duas pesquisas que apontaram Álvaro na liderança não significa que apenas levantamentos favoráveis a ele tenham sido questionados. Outras quatro pesquisas que colocavam Álvaro em primeiro lugar também sofreram decisões da Justiça Eleitoral.
Três eram do instituto Veritá. As pesquisas RN-02256/2026 e RN-04097/2026 foram suspensas em maio por questionamentos metodológicos e relacionados ao cronograma de coleta. Posteriormente, as duas resultaram em multa de R$ 106.410.
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Outra pesquisa, a RN-06276/2026, também do Veritá, apontou Álvaro com 41,6%. A Justiça questionou a composição da amostra, que previa participação de eleitores com ensino superior acima da proporção indicada para o eleitorado.
A quarta foi a RN-07670/2026, do Affare Institute, contratada pela O2 Soluções. O levantamento apontava Álvaro com 32,6%. O TRE-RN determinou a suspensão definitiva e aplicou multa de R$ 53.205.
Também houve questionamentos contra levantamentos que apontavam Allyson Bezerra na liderança da disputa.
Quatro pesquisas foram suspensas ou questionadas pela Justiça Eleitoral:
No último caso, a representação partiu da própria coligação de Allyson. A decisão apontou desconformidade metodológica, mas registrou que não havia sido identificada fraude intencional. A pesquisa DataVero, divulgada em julho, mostrava Allyson e Álvaro em empate técnico, considerando a margem de erro de 2,53 pontos percentuais.
O levantamento que completa as nove pesquisas questionadas é o RN-07240/2026, também da Média Inteligência. Nesse caso, o problema apontado pela Justiça foi diferente. O questionário incluía perguntas sobre a Operação Mederi e sobre eventual responsabilidade de Allyson Bezerra, sem formular questionamento equivalente sobre os demais pré-candidatos.
A Justiça considerou que as perguntas poderiam interferir na percepção do eleitor sobre um dos concorrentes. A pesquisa foi declarada irregular e houve aplicação de multa. Com os valores mencionados nas decisões, as multas relacionadas às pesquisas consideradas irregulares somam R$ 266.025.
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