O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, foi preso pela Polícia Federal (PF)
O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, foi preso pela Polícia Federal (PF) na noite desta quarta-feira (12), em Brasília. Lopes, que era considerado foragido desde novembro do ano passado, apresentou-se espontaneamente na Superintendência Regional da corporação. O dirigente foi indiciado sob a acusação de coordenar um esquema de descontos indevidos e não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
No pedido de indiciamento, encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a Polícia Federal defende que o dirigente responda pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado, e corrupção ativa majorada. Lopes estava com mandado de prisão em aberto desde 17 de novembro, quando as forças policiais não o localizaram em seu endereço. À época, a assessoria da Conafer justificou que seu presidente realizava viagem institucional em local de difícil acesso e com comunicação restrita.
As investigações da Polícia Federal apontam a Conafer como peça central em um modelo de filiações fraudulentas. De acordo com as provas colhidas, o esquema consistia no desconto mensal de valores diretamente de pensões e aposentadorias do INSS, sob o pretexto de taxa de associação, sem que os segurados tivessem de fato autorizado a cobrança ou assinado termos de filiação.
O caso começou a ser apurado administrativamente em 2023 pela Controladoria-Geral da União (CGU). Em 2024, diante da constatação de indícios criminosos na retenção de receitas previdenciárias, a Polícia Federal foi acionada para instaurar o inquérito. De acordo com estimativas dos investigadores, o volume total dos descontos indevidos aplicados nas pensões do funcionalismo e de segurados pode atingir a cifra de R$ 6,3 bilhões.
O relatório conclusivo da primeira fase da Operação Sem Desconto resultou no indiciamento formal de 48 pessoas sob suspeita de envolvimento nas fraudes de arrecadação de taxas.
Entre os indiciados constam ex-diretores e assessores jurídicos do próprio INSS, como o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto; o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio de Oliveira Filho; o ex-diretor de benefícios, André Fidelis; e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca”. Após passar pelos procedimentos de praxe na sede da Polícia Federal, Carlos Lopes será encaminhado ao sistema prisional do Distrito Federal.
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