Anvisa pode aprovar 8 novas canetas de liraglutida e semaglutida até o fim do ano
Agência avalia processos de novas marcas para ampliar a oferta de tratamentos no mercado nacional, reduzir preços ao consumidor e combater o mercado ilegal de emagrecimento
Publicado 4 de agosto de 2026 às 22:07
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda conceder, até o fim deste ano, o registro de oito novas canetas de liraglutida e semaglutida destinadas ao tratamento do diabetes tipo 2. A informação foi detalhada pelo diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, que destacou o objetivo do órgão regulador de agilizar as avaliações técnicas para ampliar a concorrência no mercado nacional, reduzir os custos dos medicamentos ao consumidor e combater a comercialização de substâncias ilegais.
Atualmente, a agência tem sob análise quatro processos de medicamentos à base de liraglutida e outros quatro à base de semaglutida. Uma dessas análises está em estágio avançado e deve ser concluída ainda neste mês. Na semana anterior, o órgão já havia autorizado o registro de cinco novas canetas de semaglutida: Orsema (Ranbaxy), Owozy (Ávita Care), Seemasun (Sun Pharma), Semavy (Cosmed) e Zempneo (Brainfarma).
Com a entrada de novas marcas, o mercado brasileiro — que hoje conta com 21 canetas autorizadas de semaglutida, liraglutida e tirzepatida — deve registrar redução de preços aos consumidores devido ao aumento de concorrentes regularizados. Embora os registros solicitados sejam focados no controle do diabetes tipo 2, a Anvisa pontua que os novos produtos poderão ser recomendados de forma off-label (fora da bula) para o tratamento da obesidade, à semelhança do que ocorreu com o medicamento Ozempic. Outros cinco processos de registro têm previsão de análise a partir de 2027.
Para conter a entrada e o uso de produtos irregulares no país, a Anvisa assinará um acordo de cooperação com a agência reguladora do Paraguai para compartilhamento de informações sobre circulação de medicamentos. A medida atende a uma demanda fiscalizatória evidenciada por dados da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), que apontam um crescimento de cerca de 1.000% nas apreensões de remédios dessa classe em um ano.
A agência reguladora também trabalha na formulação de novas regras para a importação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), exigindo a apresentação do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) das fábricas de origem do insumo. O novo marco regulatório prevê ainda a criação de um sistema de vigilância para que farmácias de manipulação notifiquem eventos adversos decorrentes do uso de fórmulas manipuladas. O tema, que havia saído da pauta de julgamento da diretoria colegiada em maio após pedido de vista do diretor Thiago Campos, segue em fase de instrução com a coleta de novas informações técnicas pela agência.
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