Eduardo Bolsonaro foi citado em relato de ex-aliado sobre suposto cofre em gabinete | Foto: Reprodução

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POLÍTICA Ex-aliado revela suposto cofre com R$ 250 mil no gabinete de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados

Alexandre Junqueira afirmou que o dinheiro teria origem em um suposto esquema de devolução de salários e disse que parte foi usada na compra de um apartamento; Eduardo Bolsonaro não respondeu à reportagem

por: NOVO Notícias

Publicado 4 de agosto de 2026 às 20:22

Um ex-aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o então deputado federal mantinha um cofre com cerca de R$ 250 mil em dinheiro dentro do gabinete na Câmara dos Deputados. Segundo Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, parte desse valor teria sido usada para dar entrada na compra de um apartamento no Rio de Janeiro.

A declaração foi dada em entrevista ao ICL Notícias. Junqueira afirmou que o dinheiro teria origem em um suposto esquema de devolução de salários de funcionários do gabinete, prática conhecida como rachadinha. A acusação, porém, não foi confirmada pela Justiça.

Segundo o ex-aliado, o suposto cofre foi mencionado durante conversas no período em que ele se aproximou de Eduardo Bolsonaro. Junqueira afirmou que conheceu o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2017, passou a produzir vídeos de apoio à família e foi convidado para trabalhar como motorista durante a campanha eleitoral de 2018.

Eduardo Bolsonaro foi citado em relato de ex-aliado sobre suposto cofre em gabinete | Foto: Reprodução

Após a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência, Junqueira relatou que Eduardo teria indicado seu nome para trabalhar no gabinete do deputado estadual paulista Gil Diniz (PL). Ele afirma que, durante reuniões para montagem da estrutura do mandato, ouviu relatos sobre o suposto funcionamento do esquema.

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“Duda [Eduardo Bolsonaro] tinha dois funcionários no gabinete que ganhavam cheio e devolviam a metade do salário. Nós tínhamos um cofre no gabinete e colocava essa metade. Juntou R$ 250 mil”, afirmou Junqueira na entrevista.

Ainda segundo o relato, Eduardo Bolsonaro teria retirado o dinheiro do cofre para utilizar como entrada na compra de um apartamento. Junqueira afirmou que, posteriormente, durante uma campanha eleitoral, o grupo teria enfrentado dificuldades financeiras.

A reportagem também cita que o dinheiro do suposto esquema seria administrado por Eric de Castro Roma, assessor ligado ao gabinete de Eduardo Bolsonaro. A reportagem informou que tentou contato com ele, mas não obteve retorno.

Imóveis pagos com dinheiro em espécie

O relato do ex-aliado ocorre após questionamentos anteriores sobre pagamentos em dinheiro vivo envolvendo imóveis comprados por Eduardo Bolsonaro. Em 2020, reportagem publicada pelo jornal O Globo apontou que o então deputado utilizou R$ 150 mil em espécie na compra de dois apartamentos no Rio de Janeiro.

Um dos imóveis, localizado em Botafogo, foi comprado em 2016 por R$ 1 milhão. Conforme registro da escritura, Eduardo Bolsonaro teria pago parte do valor em moeda corrente, incluindo um pagamento de R$ 100 mil em espécie.

Eduardo Bolsonaro foi citado em relato de ex-aliado sobre suposto cofre em gabinete | Foto: Reprodução

Outro apartamento, em Copacabana, comprado em 2011 por R$ 160 mil, teve registrado um pagamento de R$ 50 mil em dinheiro vivo.

Em 2022, Eduardo Bolsonaro afirmou em vídeo publicado em seu canal que os pagamentos em espécie eram compatíveis com sua renda e estavam declarados nos documentos de compra.

Apurações e respostas

A Procuradoria-Geral da República abriu uma apuração preliminar sobre a compra dos imóveis, mas o procedimento foi arquivado sem realização de diligências. O ICL Notícias informou que procurou Eduardo Bolsonaro e Sonaira Fernandes, mas não recebeu resposta.

Gil Diniz afirmou que desconhecia a existência de um cofre no gabinete. O deputado estadual também não respondeu aos questionamentos sobre supostos recebimentos de valores em dinheiro vivo.

Eduardo Bolsonaro atualmente mora nos Estados Unidos. Ele teve o mandato de deputado federal encerrado após decisão da Câmara relacionada ao número de faltas registradas durante sua permanência no exterior.

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