FAO apresenta SOFI 2026 na ONU e alerta que alto custo das dietas saudáveis ameaça avanço da Agenda 2030
Reportagem acompanhou a apresentação do relatório durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), realizado na sede das Nações Unidas, em Nova York
Publicado 17 de julho de 2026 às 09:55
O alto custo das dietas saudáveis foi apontado como um dos principais obstáculos para a erradicação da fome no mundo durante a apresentação dos principais temas da edição 2026 do relatório The State of Food Security and Nutrition in the World (SOFI), realizada em evento paralelo ao Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), na sede das Nações Unidas.
Produzido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Organização Mundial da Saúde (OMS), o SOFI é considerado a principal referência mundial para monitorar a evolução da fome, da insegurança alimentar e da nutrição. Publicado anualmente, o relatório subsidia governos, organismos internacionais e formuladores de políticas públicas no acompanhamento das metas da Agenda 2030, especialmente do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2), que prevê a erradicação da fome.
Para as jovens representantes do RN, Helena Rondon e Carolina Damásio que acomanham de perto as reuniões, o mais impactante é constatar que alimento saudável não é acessível. “ A edição de 2026 mostrou que um dos desafios mais urgentes da atualidade é compreender por que alimentos nutritivos continuam inacessíveis para milhões de pessoas e quais estratégias podem reduzir o custo das dietas saudáveis. Realmente é mais barato comer fast food, mas o preço para a saúde pública é muito alto.” Declarou Helena, acompanhada por Carolina que também está bastante preocupada.
“Combater a fome exige muito mais do que ampliar a produção agrícola. Entendemos que a segurança alimentar depende de políticas públicas integradas capazes de fortalecer a agricultura sustentável, ampliar a proteção social, garantir acesso à água e ao saneamento, fortalecer os serviços de saúde, reduzir desigualdades e aumentar a resiliência dos sistemas alimentares diante das mudanças climáticas.” Concluiu.
As discussões ressaltaram que a fome é resultado de um conjunto de fatores interligados. Conflitos armados, eventos climáticos extremos, crises econômicas, inflação dos alimentos e desigualdades sociais continuam entre os principais responsáveis pelo agravamento da insegurança alimentar em diversas regiões do planeta. Segundo os participantes, enfrentar esse cenário exige respostas coordenadas e cooperação internacional para fortalecer sistemas alimentares mais resilientes e inclusivos.
Outro tema recorrente foi a necessidade de tornar alimentos saudáveis economicamente acessíveis. Os participantes destacaram que, mesmo quando há disponibilidade de alimentos, milhões de famílias permanecem impedidas de manter uma alimentação adequada devido ao elevado custo das dietas nutritivas. Para as agências da ONU, reduzir essa barreira econômica será decisivo para acelerar o cumprimento da Agenda 2030.
Embora os indicadores consolidados da edição 2026 ainda estejam em fase de divulgação oficial, os dados mais recentes das Nações Unidas evidenciam a dimensão do desafio. Segundo a edição anterior do SOFI, entre 638 milhões e 720 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2024, o equivalente a cerca de 8% da população mundial. Apesar de alguns avanços regionais, o ritmo permanece insuficiente para que o mundo alcance a meta de erradicar a fome até 2030.
Os dados também mostram que bilhões de pessoas ainda não conseguem adquirir uma dieta saudável devido ao seu elevado custo, situação agravada pela inflação dos alimentos, pelas desigualdades de renda e pelos impactos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola e as cadeias globais de abastecimento.
Os indicadores de nutrição infantil reforçam esse cenário. As estatísticas mais recentes apontam que aproximadamente 150 milhões de crianças menores de cinco anos apresentam atraso no crescimento (stunting), enquanto cerca de 45 milhões sofrem de desnutrição aguda (wasting). Ao mesmo tempo, cresce o número de crianças com excesso de peso, evidenciando que a má nutrição se manifesta tanto pela falta quanto pelo consumo de alimentos de baixa qualidade nutricional.
Durante o encontro, também foi enfatizado que reduzir o custo das dietas saudáveis depende de investimentos consistentes em agricultura, inovação, infraestrutura, proteção social e fortalecimento dos sistemas alimentares locais. Os participantes defenderam maior articulação entre governos, parlamentos, organismos internacionais, instituições financeiras, universidades, setor privado e sociedade civil para transformar evidências científicas em políticas públicas efetivas.
Outro aspecto destacado foi que o enfrentamento da fome não pode ser tratado de forma isolada. Agricultura, saúde, educação, abastecimento de água, saneamento, desenvolvimento econômico, proteção social e adaptação às mudanças climáticas precisam atuar de forma integrada para garantir sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e capazes de assegurar alimentação adequada para toda a população.
A apresentação realizada durante o HLPF antecipou os principais eixos da edição 2026 do SOFI e reforçou que tornar as dietas saudáveis economicamente acessíveis será uma das prioridades das Nações Unidas nos próximos anos. O relatório completo, com os indicadores consolidados e análises detalhadas, será divulgado oficialmente pela FAO e servirá de referência para orientar governos e organismos internacionais na formulação de políticas voltadas ao cumprimento do ODS 2 e ao enfrentamento da fome, da insegurança alimentar e da má nutrição em escala global.
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