Macambira-de-flecha cria condições para o desenvolvimento de outras espécies na Caatinga. | Foto: Jaqueiuto Jorge
Estudo identificou que a macambira cria microambientes capazes de abrigar dezenas de espécies e até permitir o crescimento de árvores sobre afloramentos rochosos
Publicado 14 de julho de 2026 às 20:39
Uma pesquisa da Universidade Federal do RN (UFRN) revelou que uma bromélia típica da Caatinga pode desempenhar um papel importante na recuperação de áreas degradadas do semiárido. O estudo mostrou que a macambira-de-flecha cria microambientes que permitem o desenvolvimento de dezenas de espécies vegetais e até o crescimento de árvores sobre afloramentos rochosos.
Os pesquisadores analisaram 155 touceiras da planta em 22 áreas rochosas do RN e da Paraíba. Ao longo da pesquisa, foram registradas 35 espécies de plantas vivendo associadas à bromélia. Quanto maior a macambira, maior também foi a diversidade de espécies encontrada.
Uma das descobertas que mais chamou a atenção da equipe foi encontrar árvores como umbuzeiro e mulungu crescendo sobre as rochas graças às condições criadas pela bromélia.
“A gente ficou impressionado ao encontrar espécies como o umbuzeiro e o mulungu crescendo sobre afloramentos rochosos. A macambira cria esse ambiente inicial que permite a germinação e o crescimento dessas árvores”, afirmou o pesquisador Jaqueiuto Jorge, em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo o estudo, a planta forma uma espécie de abrigo natural. Suas folhas acumulam matéria orgânica, retêm sementes e ajudam a manter mais umidade e temperaturas mais baixas no interior das touceiras, reduzindo os efeitos do calor extremo sobre outras espécies.
“O que percebemos é que as plantas associadas encontram dentro das touceiras condições mais favoráveis para sobreviver. A umidade é maior e o sombreamento reduz o estresse causado pelo calor excessivo”, explicou Jaqueiuto.
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Os pesquisadores avaliam que esse papel pode se tornar ainda mais importante diante do avanço das mudanças climáticas. Além de favorecer a biodiversidade, a macambira pode ser utilizada em projetos de recuperação ambiental, já que suas raízes ajudam a estabilizar o solo e a reduzir processos erosivos.
Após mais de dez anos de estudos sobre a espécie, a equipe pretende aprofundar as pesquisas para entender como as relações entre plantas e animais nesses ambientes contribuem para a conservação da Caatinga e beneficiam as populações do semiárido.
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