Virginia Fonseca foi alvo de ação civil pública do MPDFT | Foto: Reprodução/Instagram
Ministério Público do DF afirma que influenciadora e plataforma de apostas teriam usado estratégias de publicidade para atrair consumidores; ação também cita contrato envolvendo Neymar e ainda será julgada
Publicado 9 de julho de 2026 às 15:01
O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) entrou com uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze, pedindo que ambas sejam condenadas ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por supostos danos morais coletivos relacionados à divulgação de apostas on-line. A ação foi protocolada na quarta-feira (8) no Tribunal de Justiça do DFT (TJDFT). O processo ainda não possui decisão judicial.
Na petição, o promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski afirmou que Virginia seria o “braço operacional da captação” da plataforma, alegando que a influenciadora teria participado da divulgação de mensagens que, segundo o MP, poderiam incentivar seguidores a realizar apostas.
O Ministério Público afirmou ainda que “ao recomendar produtos e serviços, os influenciadores induzem o público a adotar comportamentos alinhados ao estilo de vida que promovem”.
Segundo o órgão, “essa credibilidade transforma as recomendações em verdadeiros selos de aprovação, gerando uma expectativa legítima nos consumidores. O endosso da influenciadora ultrapassa a mera opinião, conferindo uma garantia implícita de qualidade, fundamentada na confiança construída com a audiência”.
Na ação, o MPDFT também menciona o uso da imagem de Neymar em estratégias de divulgação da Blaze. Segundo o Ministério Público, a imagem global do jogador teria sido utilizada “de forma estratégica” para atrair consumidores com promessas de “renda extra”, o que, na avaliação do órgão, teria contribuído para ampliar prejuízos de usuários.

Por causa disso, a Promotoria de Defesa do Consumidor pediu que a Blaze apresente à Justiça a cópia integral do contrato firmado com Neymar. O objetivo, segundo o MP, é analisar os valores envolvidos e as regras de marketing previstas para a divulgação da plataforma pelo atleta.
Na ação, o Ministério Público cita um vídeo publicado por Virginia durante a Copa do Mundo, no qual, segundo o órgão, a influenciadora teria incentivado seguidores a apostar no resultado da partida entre Cabo Verde e Argentina. A publicação teria sido direcionada a uma audiência de 56,7 milhões de seguidores no Instagram.
De acordo com o MPDFT, Virginia e a Blaze “atuam em um conluio predatório”, com uma suposta divisão de tarefas para captação de consumidores.
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O órgão também pediu que a Justiça determine a retirada de conteúdos publicitários relacionados a apostas que, segundo a acusação, prometam lucros irreais, possam induzir consumidores a erro ou não deixem clara a natureza comercial da divulgação.
A ação tramita na 7ª Vara Cível de Brasília. Até o momento, a Justiça não decidiu sobre os pedidos apresentados pelo Ministério Público.
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