Opinião

Educação Mesmo sem agenda, ministro da Educação Camilo Santana conversou com representantes do Sinte-RN no Centro de Convenções

Categoria marcou presença na solenidade de lançamento de programas sociais para chamar a atenção para o pagamento do aumento do piso salarial 2023

por: Foto do autor Daniela Freire

Publicado 10 de março de 2025 às 22:34

Ministro da Educação Camilo Santana conversou com o Sinte-RN nesta segunda-feira

 

De passagem por Natal para apresentar novos programas do Governo Federal para  incentivo a estudantes da rede pública, como o “Partiu IF” e o “CPOP”, nesta segunda-feira (10), o ministro da Educação Camilo Santana aceitou atender, de improviso mesmo, representantes do Sinte-RN que faziam um ato de protesto no local do evento, no Centro de Convenções.

O encontro foi acompanhado pelos parlamentares do PT Natália Bonavides, Fernando Mineiro, Isolda Dantas, Daniel Valença e Brisa Bracchi.

Eles questionaram ao ministro da Educação sobre a falta de segurança no pagamento do piso salarial na carreira dos professores do Estado. Na ocasião, o coordenador geral do Sinte-RN, professor Bruno Vital, falou sobre as demandas da Rede Estadual do RN. Uma professora da comissão dos trabalhadores também falou e citou todas as questões que afligem a categoria.

“O Ministro falou que existe uma articulação política para que a data-base do Piso do Magistério seja mudada a fim da implantação ser feita de forma que exista uma programação financeira melhor por parte dos estados e prefeituras. Disse ainda que vai dialogar com a Governadora sobre as questões do Estado”, admitiu o próprio Sinte, que ressaltou ainda a promessa da ida da governadora Fátima Bezerra a Brasília para uma agenda com o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar do Piso.

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Os professores da rede estadual de ensino estão ameaçando entrar em greve porque querem a aplicação do reajuste salarial do piso da carreira referente a 2023, que teve o pagamento barrado não pelo Governo Fátima Bezerra, mas por decisão do Tribunal de Justiça do RN, a pedido do Ministério Público do Estado, que entrou com ação acusando o pagamento dos valores de inconstitucional. Inclusive, o Ministério Público Federal também se manifestou sobre o caso e teve o mesmo entendimento do MPRN e do TJRN.

A gestão petista, por outro lado, se posicionou favorável à categoria nesse embate judicial, através da Procuradoria Geral do Estado (PGE).

Por isso que setores da imprensa potiguar têm feito questionamentos pertinentes a respeito da tentativa de emparedamento do Governo Fátima pelo Sinte.

É que há, aparentemente, uma enorme intransigência por parte da categoria com uma gestão que notoriamente dialoga e tenta atender aos anseios do setor. Prova disso é que os professores conquistaram neste governo do PT, de 2019 até hoje, praticamente 100% de reajuste do piso salarial.

Em outras palavras, é um movimento que está montado em contradição.

Enquanto o Sinte-RN  encurrala e ameaça de greve a gestão parceira, se cala diante do mais absoluto desprezo de certos prefeitos pela categoria. Como aconteceu com o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que deixou os professores sem reajuste do piso durante os cinco anos de sua administração e ainda judicializou qualquer tentativa de parada dos professores da capital durante esse período.

Diante da postura de Álvaro, que aplicou defasagem de 60% no salário dos professores, o Sinte foi ‘tchutchuca’, diante da postura da governadora Fátima Bezerra, de manter mesa de diálogo permanente, apresentando contrapropostas e pagando piso em todos os níveis da categoria, ele é ‘tigrão’.

Fica difícil de compreender, nesse momento, a ação dos professores. A impressão é de que eles estão atirando em Fátima Bezerra agora e acertando neles próprios no futuro, pois um movimento grevista agora pioraria ainda mais a avaliação da governadora, abrindo espaço para nomes que não dão à mínima para a luta dos professores ganharem fôlego e votos nas eleições de 2026.

Diante disso, fica a pergunta: os professores da rede estadual estão querendo um Álvaro Dias no Governo do Estado? Sem reajustes salariais, sem mesa de negociação e sem direito à greve? Ou um Rogério Marinho, que é contra até mesmo ao aumento do salário mínimo de acordo com a inflação?